quarta-feira, 5 de maio de 2010

Permanecei em mim...


O Evangelho de hoje nos apresenta a celebre passagem em que Jesus compara a vida dos seus seguidores com a imagem da videira. Ele se coloca no colocar da videira e nos promove a sermos seus ramos. Quanta honra de sermos consideramos ramos do Senhor. Para que os ramos deem frutos, é necessários que eles estejam unidos à videira. Dependemos do Senhor. Para quem tem fé, não existe vida fora de Deus, sem Jesus e sem a seiva do Espírito Santo. Jesus insistentemente pede que permaneçamos n'Ele. Como traduzir para os dias de hoje esse permanecer em Jesus? Existem muitos modos de permanecermos com Cristo, mas nenhum deles substitui a necessidade primordial da oração. Podemos falar de Deus, dizer que somos cristãos, que participamos da comunidade, que atuamos em trabalhos pastorais, mas se não tivermos o nosso espírito alimentado pelo Espírito Santo de Deus, tudo isso é em vão. Desse modo compreendemos quando Jesus diz que os que não permanecem na videira, são lançados fora e queimados. Ou seja, é tudo palha seca! Porém, aqueles que permanecem em Deus, esses sim, produzem muitos frutos. Em nosso dia a dia, encontramos tempo para tantas coisas, sejam elas fundamentais ou não. Que nós cristãos, acreditemos sempre que nossa vida sem oração, sem silêncio, sem reflexão, sem escuta da Palavra, torna-se seca e vazia. E que o contrário, faz-nos experimentar a alegria, a paz, a confiança, a esperança... frutos de uma vida que permanece em Deus!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Deixo-vos a paz...


Antes de partir, Nosso Senhor nos deixou um grande presente: A PAZ! Ele nos dá a sua paz e não a paz do mundo. Conhecemos tantas situações de guerra, países em conflitos e disputas não declaradas. Mas não podemos nos esquecer que estas situações nascem no coração do ser humano. Desse modo, percebemos que também nossos lares, nossos ambientes de trabalho, nossas comunidades podem também estar em guerra. Quando queremos impor nossas vontades, exigir dos outros nossos anseios pensando apenas em nós, estamos gerando um ambiente de guerra e de disputa. Rezemos sim pela paz no mundo, mas não deixemos de rezar e de construir a paz em nossos lugares de convivência. Precisamos aprender a ceder, ouvir, tolerar, compreender, esperar... Certamente não conseguiremos estabelecer a paz mundial, não uniremos os povos e nem desarmaremos os exércitos; mas experimentaremos um pouco da paz que o Senhor nos deixou, pois pela fé nesta paz que é possível, eu realizo aquilo que está em minhas mãos e que depende apenas de mim e das minhas atitudes. Que o Príncipe da Paz nos ajude a sermos instrumentos da Sua Paz!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Entregar...


Hoje na Pastoral da Sobriedade refletimos e nos propomos a vivenciar ao longo desta semana o Passo Entregar. Todos nós temos muitas coisas para entregar, creio que a principal delas, além de nossa vida a Deus, precisamos entregar o nosso amanhã. Entregar aquilo que não posso mudar, aquilo que não está em nossas mãos. Cada vez que vou em uma das reuniões da Sobriedade, não consigo ficar sem me emocionar. Quando nos apresentaram o Projeto da Pastoral da Sobriedade, em meu coração e na minha razão, eu sentia e pensava: isto é impossível. Realmente, para o Padre Rafael medroso, metódico e limitado, realmente este projeto não sairia do papel. Posso dizer que esta obra é o maior sinal de Deus para mim, revelando-me que eu devo me entregar, me entregar e me entregar. Creio que esta Pastoral era o sonho de Deus para nossa paróquia, mas que precisava das mãos de um sacerdote, de mulheres cheias de fé e de coragem, para vencer os preconceitos e as muralhas que construímos em nossas relações e ir ao encontro dos escravizados pelos vícios. Louvo a Deus porque a cada semana posso olhar para estes meus filhos, que chegaram em nossas mãos, arrebentados, destruídos, humilhados... E hoje estão lá felizes, restaurados por dentro e por fora, com os olhos cheios de luz e de esperança. Confesso-lhes que a alegria que experimento cada vez que celebro a eucaristia, ela se desdobra naquele salão onde altar do sacrifício se estende, chegando aos sacrificados pelos vícios que milagrosamente retornam à vida.

domingo, 2 de maio de 2010

Assim como eu vos amei...


Quanta alegria saber que pela fé, formamos uma Comunidade fundamentada no Amor. Não buscamos a Deus numa religião fria e sem sentido. Nossa expressão religiosa não se fundamenta em preceitos vazios ou obrigações irracionais. Nossa religião é a religião do Amor. Esta foi a experiência dos discípulos, esta é a nossa experiência. Rezando e Refletindo as leituras da Escritura propostas para este 5° Domingo da Páscoa, podemos afirmar: Somos Amados por Deus! Ele nos ama, nos amou e nos amará sempre. Será que existe felicidade maior do que essa? Somos amados por nossos pais, por nossos familiares e amigos, mas o Amor maior, o Amor que nos faz ir ao encontro dos amores da terra é o Amor de Deus.
É neste Amor que acredito que sou verdadeiramente amado, e por isso preciso me amar com o amor do Pai que me ama. Como cristãos, precisamos resgatar esse amor fundante e primordial presente em nós. É dom do Pai. É interessante notar que os discípulos, antes de receberem o mandamento do Amor por parte de Jesus, acompanham Judas os deixando. Por que será que o evangelista faz esta menção? Olhando para a história de Judas, sabemos que ele é caracterizado pelo gesto da traição. Realizando uma viagem para dentro de nós, percebemos que muitas vezes nós nos traímos. E sabe qual é a maior traição que cometemos a nós mesmos: Não nos amamos!
Se Deus nos Ama e se somos chamados a Amá-lo, devemos acreditar que aí está a essência da vida. Por que então não nos amamos? Acredito que esta seja uma das maiores enfermidades do ser humano contemporâneo: não se amar! Quantas consequências trágicas acompanhamos pelo simples fato de muitos não se amarem. Quando nos amamos, enxergamos o mundo com outros olhos e fazemos a experiência que o autor do Apocalipse nos relata: "Contemplei um novo Céu e uma nova Terra!". É claro que tudo muda, pois quando eu passo a me amar verdadeiramente, já não sou mais o mesmo. Os meus olhos são transformados, meus sentimentos renovados e posso proclamar: "Eis que Ele faz novas todas as coisas!".
A comunidade cristã deve ser uma Escola do Amor. Na verdade, as primeiras aulas sobre o amor nós deveríamos receber dentro de casa, junto aos nossos pais e familiares. Porém, constatamos que esta escola está em crise. Quantos pais que dizem que amam seus filhos e passam as tardes de sábado preocupados apenas com seus interesses e diversões. Que amor é este? E as mães que enchem seus filhos de presentes, mas que não são capazes de perguntar como se sentem, se estão felizes. Não dedicam tempo para partilhar com eles as questões fundamentais da vida como a morte, a dor, os sofrimentos, as perdas e as frustrações.
Dia desses eu tive uma experiência incrível. Acompanhei à distância o encontro de uma família em sua casa. Eu não os conheço e eles nem imaginam que relato aqui este fato. Escutei um pai e uma mãe cantando para seu pequeno filho: "Como é grande o meu amor por você!". Esse acontecimento pode ser lido como algo normal e corriqueiro. Mas para mim, esse foi um dos gestos de amor e carinho mais lindos que já presenciei em minha vida. Sem os conhecê-los, senti este amor e experimentei este amor. Disse para mim mesmo: esta criança está sendo salva por seus pais. Eles estão fazendo a parte deles enquanto pais e educadores. Falar para esta criança que Deus a ama não será difícil e nem algo de outro mundo, pois essa criança sabe que o verdadeiro amor existe pois ela o experimenta debaixo do seu próprio teto.
Por fim, Jesus diz: "que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei". Como seguidores de Cristo, precisamos nos perguntar: Como Jesus ama? Esta resposta é clara e evidente. Basta abrir os evangelhos e constatar suas atitudes. Ele acolheu o diferente, curou os doentes, visitou seus amigos, não condenou os pecadores, ofereceu uma nova vida com um simples olhar e com breves palavras cheias de amor e de afeto. Esse é o jeito de Jesus amar. Como cristãos, o nosso jeito de amar deveria ser o dele. Pode ser que tenhamos dificuldades em amar como Jesus amou. Porém, pode ser que essas dificuldades estejam no fato de eu não deixar que Jesus me ame, me acolha e me ensine a me amar.
Para esta semana pascal, sugiro para reflexão e oração pessoal dois questionamentos: Como Jesus me ama? Como amo Jesus?

sábado, 1 de maio de 2010

Retiro das Equipes de Nossa Senhora


Estou experimentando a graça de conduzir um Retiro para os casais Equipistas de Nossa Senhora daqui de Varginha. São 38 casais que assumiram o desafio de permanecerem em silêncio ao longo desses exercícios espirituais. Disse-lhes que não tinha nenhuma novidade, a não ser a maior novidade que tão é antiga e sempre nova: Jesus Cristo crucificado-ressuscitado. Quero expresar minha gratidão e alegria de vivenciar este momento e evidenciar a seriedade dos casais presentes. Amanhã tem mais. Deus os abençoe!!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Quem mora em meu coração??


Jesus diz: "Não se perturbe o vosso coração!".
Realmente estas palavras são fortes e tocantes. Quão precioso é o coração do ser humano e quantas perturbações encontramos ao nosso redor. Nós nos perturbamos com muitas coisas. Temos uma agenda para ser cumprida, pessoas para dar atenção e corresponder um pouco do que esperam de nós. Esta é a nossa realidade. Mas o que fazer? Sentimos que tudo isso tenta invadir o lugar mais sagrado que Deus criou em mim. Por que não dizer: o seu lugar em nós? Aquele espaço onde devem habitar apenas duas pessoas: Deus e eu. Sim, este é o nosso espaço sagrado. Ali sou o que sou e Deus é o que É. Quando tomamos consciência que existe este lugar em nós e que ali experimentamos a divindade que Ele nos concedeu, passamos a cuidar melhor desse "nosso" lugar. Não deixamos que nada nem ninguém invadam este espaço que é só de Deus e só meu! Procuremos fazer esta experiência: proteger e guardar esse lugar como se guarda e se protege um precioso tesouro. Creio que agindo assim, a Palavra do Senhor se torna palpável e Palavra de Salvação, de Ânimo, de Esperança e de Paz para nós! Que o Senhor nos ajude a acreditar sempre nesta Palavra, tornando-se em nós Caminho, Verdade e Vida. Amém!

Voltei...


Depois de praticamente 3 anos, resolvi voltar, ou melhor, assumir de vez o compromisso de ser um blogueiro. Visito tantos blogs, aprendo com tanta gente, faço viagens incríveis pelo mundo virtual, e por isso decidi corresponder ao pedido do Santo Padre, o Papa Bento XVI, que convocou os sacerdotes para criarem um blog pessoal. Eu já possuia o blog, faltava-me apenas assumir o compromisso de alimentá-lo sempre que possível. Alguns irmãos daqui de Varginha insistem comigo para que eu publique algumas reflexões. Sempre tive algumas reservas com relação a isso. Certamente é Deus que estava falando comigo através deles e eu resistindo à sua voz. Bem, espero ser disciplinado e colocar sempre algo que julgue interessante para ser publicado neste meio tão ligeiro e sem distâncias...
Neste dia, acompanhamos a Escritura que nos apresenta Paulo levantando em meio à assembleia para oferecer uma palavra de estímulo e ânimo. Obrigado a você que me estimulou a voltar para este meio privilegiado de comunicação e evangelização.

Deus os abençoe!!